Existem sempre pessoas que nos marcam ao longo do nosso caminho no Paganismo. Aquelas pessoas que nos deram apoio e que nos ensinaram coisas que, provavelmente, não teríamos aprendido noutro lado. Essas pessoas são muito essenciais e não devem ser esquecidas. Afinal de contas, por muitos livros que se escrevam, por muitas teses que sejam feitas e pesquisas realizadas, há sempre aprendizagens que só adquirimos com a experiência e com os ensinamentos de outros.
É disso que venho falar hoje.
O caminho solitário é sempre um caminho que é bastante escolhido, principalmente na nossa sociedade actual, em que a maioria dos praticantes de Paganismo vivem em grandes metrópoles ou cidades e o encontrar um coven é cada vez mais díficil. Cada vez estes se escondem mais ou, se se mostram, podem não ser as melhores opções ou nem ser aquilo que o praticante procura. Covens bons são escassos. Não só devido à escassez como também é complicado, para muitos solitários, encaixarem as suas práticas já tão ecléticas num grupo com princípios tão bem definidos. Acaba por ser complicado.
Também o actual individualismo da nossa sociedade consumista e tecnológica, leva, muitas vezes, a um afastamento da comunidade em nosso redor (em detrimento de uma comunidade mais alargada, na rede virtual) o que leva a um desligamento. Fazendo com que, obviamente, seja ainda mais complicado o encaixe dentro de um coven.
A estes factores incluem-se ainda a rotina e toda a vida atarefada da urbe que leva à falta de tempo.
Como podem ver, existem inúmeros entraves que, muitas vezes, impedem um praticante solitário de se juntar a um coven. Existe também, claro, a possibilidade do próprio praticante não desejar ser parte de um coven (como é o meu caso, por exemplo).
Não me interpretem mal, acredito que a vida em coven seja simplesmente magnífica e muito enriquecedora e, se possível, recomendo a experiência pois todos os caminhos nos ensinam algo. Mas, neste artigo, foco-me mais no lado solitário da prática pagã.
Para um solitário, acaba sendo a rotina diária ter de aprender as coisas sozinho. Pesquisar autores, ler livros, procurar fontes, etc. Acaba por ser o dia-a-dia e nem se nota grande dificuldade após uns anos.
Porém, quando se encontra alguém que nos possa ajudar, alguém com mais experiência, é sempre óptimo. E, meu conselho, é aproveitar isso. Eu cresci dentro das comunidades pagãs online, conhecendo e falando com pessoas, aprendendo com elas. Vim a descobrir que muita coisa, eventualmente, estava errada, mas aprendi com outras pessoas. Ás vezes, o isolamento de um praticante solitário, leva a que este tenha uma prática sim mais privada, mas também com falhas. A socialização com outros pagãos, é essencial e sempre que possível, de aproveitar.
E não falo apenas da socialização cara-a-cara, em pessoa. Mesmo a socialização via Internet é de valorizar, pois permite adquirir outros conhecimentos. O que você sabe partilha e a outra pessoa partilha com você. Fazem raciocínios acerca de uma determinada teoria e juntos podem chegar a uma conclusão satisfatória para ambos ou para uma das partes.
Com a ajuda de outras pessoas, acaba por se percorrer um caminho diferente. É um caminho solitário, em termos práticos, e nosso, dado que é criado por nós e seguido por nós, mas aprendemos sempre bastante com os outros.
Eu, ao longo dos anos, encontrei diversas pessoas (não só na Internet mas também pessoalmente) que me ensinaram imenso e me ajudaram a crescer. Não sou mais aquela moça que acreditava que tudo na Wicca era fadas e cor-de-rosa e que os outros caminhos pagãos eram minorias. Hoje tenho uma noção mais clara do Paganismo, da Wicca e dos diversos caminhos existentes, não só ao nível do Neo-Paganismo mas também do paganismo pré-cristão.
Não estou dizendo que toda a gente que você encontrar vai ensinar algo bom para você usar na sua prática. Mas vai ensinar algo a você. Mais que não seja, se a pessoa estiver errada e for daqueles "malucos" que toda a gente sabe que existe, ensina você a não percorrer o mesmo caminho do que essa pessoa. Todos têm algo a ensinar você e você deve, ao longo do seu caminho, aprender o mais possível com cada pessoa, seja ela pagã ou não (sim, os seguidores de outros caminhos religiosos também têm muito a nos ensinar, principalmente a nível do respeito pelas crenças dos outros).
Mas claro, tenha cuidado. Não experimente tudo o que as pessoas dizem. Tem pessoas muito boas que vão ensinar a você coisas maravilhosas mas também tem imensas pessoas com más intenções e com vontade de burlar você, enganar você ou pior até. Tenha sempre cuidado e mantenha sempre um pé atrás nas conversas, pense por si mesmo também e, se necessário, peça opinião a pessoas mais velhas ou a pessoas que conhecem as coisas melhor que você e em quem você confie.
Este texto todo, para chegar a uma conclusão bem simples: Comunique. Fale com pessoas, entre em redes sociais de paganismo, em fórums e conheça pessoas. Aprenda com elas e descubra um novo mundo enorme que tem para conhecer. Quem sabe, pode até achar um coven que será sua futura família. Nunca se sabe o que a vida e os Deuses têm reservado para nós.
Aproveite ao máximo, conheça o Mundo lá fora e viva a sua religião ao máximo.
Bênçãos da Deusa,
MissElphie